Ou, ao menos, é preciso mudar a maneira de contabilizar cada tipo de alimento.
A conta, agora, tem que incluir também a quantidade de energia que o corpo gasta para digerir cada alimento. Isso, segundo a organização, que derrama seu sistema de emagrecimento por 30 países, Brasil incluído.
A carne demanda mais energia na digestão do que uma fatia de bolo. Uma caloria de carne engordaria menos do que uma de bolo.
"A contagem considera agora proteínas, carboidratos, fibras e gorduras. O corpo gasta mais energia para digerir fibras e proteínas", diz Rodrigo Strickland Faro, diretor da Vigilantes do Peso no Brasil.
Faz sentido. Mas é difícil saber quanta energia é gasta por cada pessoa no processo de digestão de diferentes alimentos, pondera a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).
"O que sabemos é que há uma porcentagem diferente de absorção dos nutrientes." Gorduras e carboidratos têm taxa maior de absorção do que as proteínas. "Isso tem a ver com o índice glicêmico."
Alimentos com maior índice glicêmico aumentam mais rápido a taxa de açúcar no sangue e dão uma menor sensação de saciedade.
O preparo também pode mudar a proporção de nutrientes absorvidos. "Quando a gente refoga o arroz, isso dificulta a absorção do amido. Se o arroz for consumido com salada e carne, a absorção também é mais difícil."
O diretor da Vigilantes do Peso diz que a mudança estimula escolhas saudáveis. "Nosso programa vai indicar, entre dois alimentos com cem calorias, qual é melhor."

NA PONTA DO LÁPIS
O endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do HC de São Paulo, não acredita que essas variáveis façam diferença.
"Por mais que haja protestos contra, o que vale é o número de calorias. Você pode comer 'junk food' se quiser. Se o número de calorias for menor do que o que você gasta, vai perder peso."
Um experimento conduzido pelo professor de nutrição americano Mark Haub é um exemplo de que dá para emagrecer só na base do cálculo.
Ele restringiu sua dieta, por dois meses, a 1.800 calorias diárias, mas a maior parte delas vinha de bolachas recheadas e bolos. Haub perdeu 13 quilos e ainda reduziu níveis de colesterol ruim.
Ele contou, em reportagem da "CNN", que já havia tentado, sem conseguir, emagrecer priorizando frutas e fibras. Com a "dieta da besteira", atingiu o objetivo.
Para Pisciolaro, a dieta do professor é um mau exemplo. "Do que adianta emagrecer comendo porcaria?", diz.
Fonte: Folha Saúde (DÉBORA MISMETTI / EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE)
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